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POLÍTICA REGIONAL

A importância da indústria para os Estados

A participação do conjunto composto pela soma das indústrias (extrativa mineral, de transformação, construção civil e de produção e distribuição de eletricidade, gás, água e esgoto e limpeza urbana) no valor adicionado interno bruto total, tem se mantido em torno de 27,2% desde 1995, sem grandes desvios, segundo as Contas Nacionais do IBGE.

Extraída desse conjunto, a participação média da indústria de transformação girou em torno de 17,2% da riqueza nacional, num período de quinze anos. No entanto, desde 2007, os resultados têm se mostrado seguidamente inferiores à mesma média e com desvios crescentes, caindo de 19,2% em 2004 para 16,6% em 2009.

Mas, as mudanças ocorreram de forma heterogênea entre os Estados, conforme mostram dois tipos de indicadores: 1) a participação do valor adicionado da indústria de transformação de cada Estado em relação ao valor adicionado total gerado nele, em todos os setores; e 2) a parcela do valor adicionado da indústria de transformação de cada Estado em relação ao total do Brasil nesse setor. Quanto ao primeiro indicador, a participação da indústria de transformação reduziu-se dentro de cada Estado em Santa Catarina (de 28% em 1995 para 22% em 2009), com quedas também em Rio Grande do Sul, Amazonas, Pará, Roraima, Amapá, Maranhão, Mato Grosso e Espírito Santo. Ela tem permanecido praticamente constante em São Paulo (ao redor de 22,6%), Paraná e Minas Gerais (com 18% cada), Rio de Janeiro (9,8%) e também em Pernambuco, Ceará, Mato Grosso do Sul, Tocantins, Piauí e Rio Grande do Norte. E, apresentou crescimento na Bahia (de 12,6% para 16,2%), em Goiás (de 11% para 15%), além da Paraíba, Rondônia e do Acre.

Passando ao segundo indicador, apesar de a indústria de transformação paulista ter mantido o seu peso dentro do estado, ela, que em 1995 respondia por 54% do valor adicionado dessa indústria no país, em 2010 já havia reduzido sua participação para apenas 41%. Mesmo assim, a riqueza gerada pela mesma alcança valores elevadíssimos, R$ 295,6 bilhões. Com uma indústria bastante diversificada, preponderam R$ 63,6 bi gerados pela automobilística e de ônibus e caminhões, R$ 35,6 bi do refino do petróleo, R$ 26,9 bi de açúcar, R$ 18 bi de farmacêuticos e R$ 15,4 bi de autopeças. Juntos, esses ramos respondem por 54% do valor adicionado da indústria de transformação no Estado.

Ao contrário da queda de São Paulo, a participação da indústria de transformação estadual em relação à total nacional cresceu no Paraná, em Minas e em Goiás. No Paraná, dos R$ 54,6 bilhões gerados pela indústria de transformação em 2010, R$ 16,2 bi vieram da automobilística, ônibus e caminhões, R$ 6 bi do abate de suínos e aves e R$ 4,3 bi de fertilizantes. Em Minas Gerais, dos R$ 73,7 bilhões gerados, R$ 18,6 bi vieram da automobilística, R$ 10,3 bi da fabricação de laminados planos de aço e R$ 8,2bi da fabricação de laticínios. 

A queda de participação da indústria de transformação na economia como um todo decorreu de fatores como a perda de competitividade imposta pelo câmbio e o “Custo Brasil”, o último tão citado, quanto carente de providências corretivas.  A ênfase dos investimentos privados em novos processos industriais, em detrimento de investimentos em produtos inovadores e a falta do direcionamento dos pesquisadores universitários para as áreas de ponta também contribuíram para a falta de sustentação da indústria. Por outro lado, incentivos fiscais e a melhor distribuição regional da renda contribuíram para o crescimento da importância da indústria em alguns Estados.

A nova “agenda de desenvolvimento regional” lançada pelo BNDES, em conjunto com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, procura fomentar os investimentos estaduais em infraestrutura. Nesse sentido, os setores relevantes de cada região deveriam ser ouvidos, para que as suas prioridades sejam atendidas, e ampliem a sua contribuição para as economias locais e para a nacional. Também seria interessante fomentar nas cadeias produtivas onde o Brasil pode ampliar sua vantagem competitiva, como na petroquímica, a partir do pré sal, metalurgia a partir da mineração em Minas Gerais, e na agroindústria de Mato Grosso e do interior de São Paulo, diversificando para novas áreas além da automobilística.

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Patricia Marrone, Economista (USP) e sócia da Websetorial, empresa de consultoria econômica para sindicatos e outras entidades patronais.