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POLÍTICA REGIONAL

Inovação via interação - setorial e regional

Neste artigo procuro atender a solicitações de dois leitores. Um deles pediu a inclusão do tema “inovação” na minha pauta e outro para indicar como as empresas poderiam criar novas oportunidades, dada a perspectiva de exportações fracas, já traçadas para o ano de 2013.

A inovação e os desenvolvimentos regional e industrial são temas intimamente relacionados. O crescimento de muitas empresas, principalmente aquelas de portes pequeno e médio, está condicionado ao desenvolvimento socioeconômico das regiões onde estão estabelecidas.

Muitos estudos procuram entender o papel da troca de informações entre empresas situadas em uma mesma área geográfica na geração de inovações tecnológicas e no aproveitamento das externalidades geradas pelo local, como, por exemplo, a contratação da mão de obra técnica e especializada e o estabelecimento de fluxos e conhecimentos entre firmas e instituições.

A interessante pesquisa intitulada “Influência da Proximidade Geográfica na Dinâmica Inovativa de Firmas Localizadas em Sistemas Locais de Inovação” de Janaína Ruffoni e Wilson Suzigan (publicada na revista EconomiA, V13 N 1 p.35-66 jan/abr 2012), comparou os fluxos de informações e de conhecimento estabelecidos entre fábricas de máquinas para calçados na região do Vale dos Sinos (no Brasil) e na Lombardia (Itália). Comparou também as relações das fábricas situadas nesses locais, com outras instituições como: associações de classe, centros tecnológicos, universidades e escolas técnicas do entorno e fora dele.

A partir de uma lista de todos os atores apontados pelas empresas de cada uma dessas duas regiões, a pesquisa consistiu em perguntá-los como trocam informações e  conhecimento entre si e em medir a intensidade e a modalidade das informações que se difundem entre as empresas geograficamente próximas. Procuraram também atribuir o grau de importância da localidade das instituições que compõem cada rede, no desenvolvimento de novos produtos ou processos.

A conclusão do estudo - para este setor de máquinas para calçados, em específico - foi que a troca de informações entre as firmas, quanto aos canais comerciais e de fornecedores é mais intensa do que a troca do conhecimento tecnológico, propriamente dito - em ambas as regiões investigadas. Foi observado também que o conhecimento tecnológico flui entre um grupo restrito de empresas e a proximidade geográfica, não necessariamente tem estimulado o estabelecimento das relações entre as empresas desse setor, tanto para o caso da rede do Brasil como a da Itália. Uma explicação para a fraca interação seria o receio da imitação. Tal conclusão poderia diferir se o estudo fosse aplicado em outros setores. Por exemplo, a troca de informações sobre tecnologias entre vinícolas de uma mesma região, pode ser mais intensa do que a verificada no de máquinas para calçados.

Assim, o trabalho de Ruffoni e Suzigan mostrou que as interações e trocas entre empresas dependem não só da proximidade geográfica, mas também da capacidade de relacionamento que elas estabelecem.

Voltando à indagação sobre a geração de oportunidades em pequenas e médias empresas, elas poderiam vir da inovação e ser estimuladas por uma maior interconexão entre instituições. Associações de classe patronais representativas de alguns setores já criaram entidades voltadas para a pesquisa, desenvolvimento, inovação, assistência tecnológica e difusão do conhecimento técnico-científico. Posso citar duas importantes como o ITAL – Instituto de Tecnologia de Alimentos e o IPDMAQ- Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Maquinas e Equipamentos, entre outras. Hoje, ambas já estão bastante consolidadas e se firmaram como importantes canais de especialização e transferência de conhecimento. Portanto, oportunidades para inovar poderão ser geradas através da maior interação entre instituições, ou, do melhor aproveitamento dos chamados “sistemas regionais de produção e de inovação”.